
As reformas implementadas pelo Governo dos Estados Unidos na área da ajuda internacional à saúde estão a colocar forte pressão sobre o sistema de saúde de Moçambique, sobretudo em regiões afectadas por cheias, surtos de doenças e limitações financeiras.
Na cidade da Matola, província de Maputo, profissionais do Centro de Saúde Matola II enfrentam dificuldades para conter casos de malária, cólera, tuberculose e HIV, numa altura em que os cortes da ajuda americana reduziram significativamente o número de agentes comunitários de saúde.
Segundo o director da unidade sanitária, Alarico Moisés Manjacaze, a clínica atendia anteriormente mais de 40 agentes comunitários, número que actualmente caiu para menos de 20 devido às mudanças nos programas de financiamento dos Estados Unidos.
A nova estratégia da administração de Donald Trump prevê acordos bilaterais que obrigam países africanos, incluindo Moçambique, a aumentarem os investimentos próprios nos sistemas nacionais de saúde, reduzindo gradualmente a dependência de financiamento externo.
O novo acordo assinado entre Maputo e Washington prevê um investimento de cerca de 1,8 mil milhões de dólares ao longo de cinco anos para apoiar programas de combate ao HIV e à malária, mas em condições consideradas mais exigentes do que os modelos anteriores de cooperação internacional.
Analistas e organizações da sociedade civil afirmam que os novos acordos podem aumentar a dependência estratégica de países africanos em relação aos interesses económicos dos EUA, sobretudo em sectores ligados ao gás natural, mineração e logística.
O especialista em governação sanitária, Jorge Matine, considera que o acordo pode estar associado às negociações estratégicas ligadas aos recursos naturais de Cabo Delgado e outros projectos económicos de interesse americano.
Outros especialistas alertam que a redução abrupta do financiamento poderá comprometer os avanços no combate à malária, HIV e outras doenças endémicas, sobretudo em países com forte dependência da ajuda externa.
Apesar da promessa de novos fundos, profissionais de saúde em Moçambique afirmam que os efeitos positivos ainda não são visíveis no terreno e defendem que o Governo deve preparar-se para financiar de forma sustentável os serviços essenciais de saúde.
Fonte: Bloomberg
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