
Pelúcias com inteligência artificial, como Grok, Grem e Gabbo, tornam-se tendência nos EUA, mas especialistas alertam para riscos na interação infantil e excesso de delegação aos brinquedos.
Os brinquedos de pelúcia equipados com inteligência artificial estão a ganhar espaço nos Estados Unidos, quase dois anos após o lançamento do Grok, o foguetinho falante criado pela empresa Curio.
Embora as vendas ainda sejam modestas, o interesse tem aumentado, impulsionando o surgimento de novos modelos como o ET azul Grem e o controlador de videojogos Gabbo. Outras marcas também investem na ideia, oferecendo ursinhos, dinossauros e robôs capazes de conversar com crianças.
A proposta é oferecer entretenimento interativo e supervisionado. Os brinquedos possuem um bolso traseiro com uma caixa de som ligada ao Wi-Fi, que transmite a voz do personagem.
A Curio garante que todas as conversas são transcritas e enviadas aos pais, que podem ajustar comportamentos, como incentivar estudos. Além disso, a inteligência artificial evita temas sensíveis, palavrões e conteúdos inapropriados.
No entanto, a jornalista Amanda Hess, do New York Times, identificou limitações. As conversas ainda soam artificiais e muitos pais acabam a delegar às pelúcias responsabilidades que deveriam assumir, usando os brinquedos como substitutos na interação com os filhos.
Em alguns casos, as crianças assistem a ecrãs enquanto os bonecos ficam ao lado, reduzindo o potencial educativo.
Os preços variam em torno de 99 dólares, mas os produtos ainda não são vendidos no Brasil. Com o interesse crescente e parcerias como a anunciada entre a OpenAI e a Mattel, o mercado de brinquedos com IA deve expandir-se, prometendo novas experiências interativas. Especialistas alertam, porém, que a tecnologia não substitui acompanhamento parental.
Fonte: The New York Times / Olhar Digital
Foto: Curio / Shutterstock