
O Banco de Moçambique revelou que as importações de arroz e trigo alcançaram 439 milhões de dólares nos primeiros nove meses de 2025. Deste total, 255,9 milhões de dólares foram gastos na compra de arroz e 183,1 milhões de dólares na aquisição de trigo.
Os dados constam de um relatório estatístico do banco central, que evidencia o aumento das importações desses cereais nos últimos anos: o arroz passou de 288,4 milhões de dólares em 2022 para 317,7 milhões em 2023 e 441 milhões em 2024.
Em Janeiro de 2026, o Executivo anunciou, por meio de Decreto Ministerial, que as importações de cereais essenciais — especialmente arroz e trigo — passarão a ser centralizadas no Instituto de Cereais de Moçambique (ICM), com o objetivo de controlar a saída de divisas, garantir o abastecimento interno e estabilizar preços.
Contudo, a Confederação das Associações Económicas (CTA) alertou que essa centralização poderá comprometer investimentos superiores a 500 milhões de dólares e colocar em risco cerca de 30 mil postos de trabalho.
A entidade destaca que a insuficiência da produção nacional de arroz, que atualmente atinge apenas 80 mil toneladas, não é suficiente para atender a demanda anual estimada em 700 mil toneladas. Já o trigo depende totalmente de importações.
Segundo a CTA, a decisão do Governo foi tomada sem consulta ao setor privado, contrariando boas práticas de governação económica, previsibilidade regulatória e princípios de concertação público-privada. A concentração das importações no ICM levanta riscos de contencioso, incerteza regulatória e perda de confiança dos investidores.
A classe empresarial também alerta que a medida pode afetar contratos internacionais, reduzir investimentos privados e impactar a base fiscal do Estado, além de desvalorizar ativos industriais e intelectuais. Continua LER mais Clique Aqui
Fonte: Diário Económico