
Pelo menos quatro pessoas foram mortas na província da Zambézia após a propagação de boatos ligados à chamada “magia genital”, fenómeno associado a mitos populares, superstições e desinformação. As vítimas foram acusadas de provocar o alegado encolhimento de órgãos genitais, o que gerou pânico e reacções violentas nas comunidades.
Segundo relatos, as agressões ocorreram após a circulação de rumores de que simples apertos de mão poderiam causar o fenómeno. As autoridades alertam que tais crenças não têm qualquer base científica e apelam ao fim da violência colectiva, justiça pelas próprias mãos, propagação de boatos e actos motivados pelo medo.
Especialistas, como o investigador João Feijó, explicam que estes episódios estão ligados a crenças antigas, onde indivíduos considerados bem-sucedidos são transformados em bodes expiatórios, associados a feitiçaria, chupa-sangue e outras narrativas culturais enraizadas em determinadas regiões do país.
O fenómeno tem sido registado sobretudo entre o norte da Zambézia e o sul de Cabo Delgado, onde factores sociais e económicos contribuem para a disseminação destas crenças. Analistas defendem maior investimento em educação cívica, literacia informativa, sensibilização comunitária e promoção do pensamento crítico.
Apesar de esforços anteriores para combater práticas consideradas obscurantistas, incluindo campanhas governamentais e influência de religiões, estas crenças continuam a coexistir com a realidade moderna.
O caso reforça a necessidade de acções coordenadas para prevenir novos episódios de violência e proteger as comunidades. Continua LER mais Clique Aqui
Fonte: DW África