
A organização ACLED registou dez episódios de violência armada, envolvendo insurgentes ligados ao Estado Islâmico, que provocaram 26 mortes nas últimas duas semanas na província de Cabo Delgado.
Segundo o relatório da Armed Conflict Location & Event Data, os ataques ocorreram entre os dias 4 e 17 de Maio e elevaram para 6.570 o número total de mortos desde o início da insurgência armada em Cabo Delgado em 2017.
O documento indica que combatentes do Estado Islâmico de Moçambique atravessaram o distrito de Ancuabe e avançaram até Chiure, encontrando resistência apenas de moradores locais e membros das milícias tradicionais conhecidas como naparamas.
De acordo com o relatório, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique e militares do Ruanda mantêm bases em Ancuabe, mas os confrontos recentes envolveram sobretudo milícias comunitárias sem armamento pesado.
A ACLED refere ainda que insurgentes utilizaram um engenho explosivo improvisado contra um comboio das FADM no distrito de Macomia, mantendo também presença activa em Mocímboa da Praia.
O relatório denuncia igualmente dificuldades enfrentadas por pescadores, comerciantes marítimos, operadores de barcos civis e populações costeiras, alegadamente vítimas de extorsão praticada por insurgentes e membros da marinha.
Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontam que mais de 13 mil pessoas abandonaram as suas casas no distrito de Ancuabe devido à intensificação dos ataques terroristas no norte do país.
Segundo a ACLED, insurgentes chegaram à aldeia de Messanja, onde incendiaram residências, destruíram uma igreja e entraram em confronto com membros das milícias naparamas.
Embora o Estado Islâmico tenha alegado ter morto 26 membros das milícias locais, fontes locais citadas pela organização indicam que vários insurgentes também morreram após confrontos com civis da comunidade.
A província de Cabo Delgado, rica em gás natural e recursos minerais, enfrenta ataques extremistas desde Outubro de 2017, situação que continua a agravar a crise humanitária e o deslocamento de milhares de famílias.
Fonte: Lusa