
A Associação M27 manifestou preocupação com a forma como foi divulgada a descoberta de uma vala comum no Cemitério do 14, contendo restos mortais associados às vítimas dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977. A organização exige mais transparência, respeito às famílias, verdade histórica e esclarecimentos públicos sobre o processo.
A polémica surgiu após o anúncio feito pelo ministro da Justiça de Angola, Marcy Lopes, que revelou a localização de mais de 500 perfis humanos durante investigações conduzidas pela Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP).
Segundo a associação, as famílias não foram previamente informadas nem envolvidas no processo, levantando dúvidas sobre os critérios usados na identificação dos restos mortais, investigação forense, reconciliação nacional e divulgação das informações.
A M27 considera ainda preocupante a publicação de nomes supostamente ligados às ossadas encontradas, sem apresentação clara de provas científicas ou detalhes metodológicos. Para os familiares, a situação aumenta a desconfiança e o sofrimento em torno de um dos episódios mais traumáticos da história angolana.
A associação defende que o processo deve contar com acompanhamento independente e internacional, garantindo justiça histórica, direitos humanos, memória colectiva e tratamento digno das vítimas.
Fonte: DW África