
A possível exploração de areias pesadas, actividade mineira e prospecção de recursos minerais na praia de Zalala, na província da Zambézia, está a gerar forte polémica e preocupação entre moradores, autoridades locais e sectores ligados ao turismo e pesca artesanal.
Segundo informações divulgadas pela Integrity Magazine, a controvérsia envolve alegadas concessões atribuídas a empresas chinesas para actividades de pesquisa mineira, exploração de recursos naturais e investimento estrangeiro em zonas costeiras dos distritos de Quelimane, Inhassunge, Namacurra, Maganja da Costa e Mocubela.
Documentos citados pela publicação indicam que, em Julho de 2024, o então Ministério da Terra e Ambiente considerou o projecto ambiental e socialmente inviável. Ainda assim, o antigo Ministério dos Recursos Minerais e Energia teria emitido uma licença de prospecção mineira, pesquisa de minerais e exploração de areias pesadas válida até 2028.
De acordo com a reportagem, uma das principais preocupações está relacionada com a alegada falta de consultas públicas, transparência governativa e participação comunitária no processo de atribuição das áreas para pesquisa e exploração mineira.
A praia de Zalala é considerada uma das zonas turísticas mais importantes da Zambézia, destacando-se pelo potencial para turismo sustentável, pesca artesanal e desenvolvimento económico local, factores que poderão ser afectados pelas actividades de mineração.
O chefe da localidade de Maquival confirmou a presença de técnicos ligados ao projecto e afirmou que houve consultas comunitárias, tendo parte da população manifestado apoio à prospecção. Entretanto, o administrador do distrito de Quelimane negou qualquer venda de terras, esclarecendo que apenas foi autorizada a fase de pesquisa geológica, levantamento mineiro e avaliação de recursos minerais.
O caso ganhou ainda maior repercussão após declarações do político Venâncio Mondlane, que acusou o Governo de permitir a exploração de um património natural importante para os zambezianos. Mondlane denunciou igualmente a presença da Unidade de Intervenção Rápida, segurança armada e restrições de acesso à praia durante os trabalhos de prospecção.
Por outro lado, o governador da Zambézia, Pio Augusto Matos, desvalorizou as informações sobre a exploração mineira, classificando-as como boatos e garantindo que qualquer decisão dependerá da vontade das comunidades locais e do respeito pelas normas de gestão ambiental, legalidade mineira e protecção comunitária.
Enquanto o debate continua, sectores da sociedade civil defendem maior fiscalização, realização de estudos independentes e esclarecimentos públicos sobre o projecto, numa altura em que cresce a preocupação com os impactos na economia local, preservação ambiental e desenvolvimento sustentável da região costeira de Zalala.
Fonte: Integrity Magazine