
As mulheres estão a conquistar cada vez mais espaço no setor dos mototáxis na cidade da Beira, encontrando nesta atividade uma alternativa ao desemprego e ao elevado custo de vida. Tradicionalmente dominado por homens, o setor começa a registar uma maior participação feminina, apesar dos desafios e do preconceito ainda existentes.
É o caso de Augusta Munguela, de 48 anos, viúva e mãe de cinco filhos, que trabalha como mototaxista há sete anos. Depois de perder o marido e ver o seu negócio destruído pelo ciclone Idai em 2019, encontrou na condução de mototáxis uma forma de reconstruir a vida e garantir o sustento da família.
Segundo Augusta, a atividade permitiu-lhe financiar os estudos dos filhos na Universidade Licungo e na Universidade Zambeze, incluindo uma filha que frequenta o curso de Medicina.
Apesar dos resultados alcançados, admite enfrentar riscos diários, discriminação e preconceitos relacionados com o facto de ser mulher num setor tradicionalmente masculino.
Outra história de superação é a de Balbina Sílvio, professora de profissão, que utiliza a motocicleta para transportar mercadorias e desenvolver pequenos negócios.
A docente afirma que o rendimento do emprego formal já não é suficiente para responder às necessidades familiares, razão pela qual decidiu diversificar as suas fontes de rendimento.
A presidente da Assembleia Municipal da Beira, Jacinta dos Remédios, considera que o aumento do número de mulheres na atividade representa um avanço na promoção da igualdade de oportunidades e do empreendedorismo feminino.
Contudo, defende o reforço da formação e da segurança rodoviária para reduzir acidentes e melhorar a qualidade do serviço.
Por sua vez, o presidente da Associação dos Mototaxistas da Beira, Jacob Pereira, afirmou que a organização trabalha em parceria com o INATRO para garantir formação contínua aos profissionais.
Segundo explicou, apenas os operadores devidamente certificados poderão exercer a atividade, numa medida que visa reforçar a qualificação e a segurança dos passageiros.
Apesar das dificuldades, as histórias destas mototaxistas demonstram que o setor se tornou uma importante fonte de rendimento para muitas famílias, contribuindo para a autonomia económica das mulheres e para a continuidade dos estudos dos seus filhos.
A crescente presença feminina nos mototáxis da Beira reflete também uma transformação gradual do mercado de trabalho informal em Moçambique.
Foto: Jornal Notícias